Sexta-feira, 12 de outubro de 2001

A Ira de Alá

Aconteceu no mês do Ramadã. Um pai, dois, três pais: "Vai filho, arrebenta os chifres da Besta, sepe a crista do Dragão infiel a Alá e ao próprio Jeová. Faça isso por amor a teus pobres irmãos fieis, mesmo que o benefício alcance também os infiéis cristãos que frouxos, covardemente tremem e choramingam ante os brados do Dragão devastador, terrorista, devorador de crianças. Vá filho, sê forte, não tema a morte, teu honroso passaporte de entrada no Paraíso." ( trecho extraído das Duas Mil e Uma Noites).

Concretos, pedaços, dilacerações de corpos rasgados, pela queda de blocos pesados, uivos na hora undécima, no instante da visão congelada da morte. E uma cruviana vermelha carmesina, era a mortalha que descia junto, cobrindo os corpos de secretárias, contínuos, executivos; um com o roteiro acabado para as filmagens que pensava: Ela não veio! Ou escrevia: Cri em você, acreditei na mentira encarnada; a modelo que acabara de ser contratada; e um jovem poeta dava os últimos retoques no livro, quando "perto avistou o porto nebuloso, imenso, sempre noite, chamado eternidade".

"Ai de ti que despojas e que não fostes despojado; que procedes perfidamente e que perfidamente não fostes tratado! Quando acabares de destruir, serás destruído; e quando acabares de tratar perfidamente, perfidamente, te tratarão." (Palavras de Jeová, Isaias, 33).

"Cada país tem uma decisão a tomar. Ou está do nosso lado ou está do lado dos terroristas." Entendendo-se que "quem não estiver do nosso lado" será punido, castigado, retaliado de todas as maneiras. "Usaremos de todos os recursos à nossa disposição, todas as gestões diplomáticas, todos os dados de inteligência, todos os instrumentos legais(?), toda a influência financeira e todas as armas de guerra que forem necessárias... inclusive nucleares". (Palavras de J. W. Bush, discurso pós atentado terrorista).

Até o presente momento eu me sinto arrasado, ante a tremenda surpresa que foi a chegada brusca da morte, para aqueles que estavam dentro dos três aviões e para aqueloutros milhares que ocupavam os edifícios demolidos de modo arrasador. Me estarreço ante a expectação do passageiro do avião, que sem ter nada programado, vê crescer e se agigantar, num tempo pequeno infinito o paredão do edifício da torre que vertiginosamente se aproxima cavalgante inexorável o Anjo da Morte.Vejo estampado no rosto do que viu vir, vindo um pássaro gigante metálico, brilhante velozmente crescendo e crescendo, de encontro a todos os seus sonhos, de toda uma existência, que faz-se compactada espremida em poucos segundos. E, também me estremeço sobremodo, até o mais recôndito de minha alma ante a postura sobrancera do pilôto, o moço que ainda na manhã da existência colocou a flor dos seus poucos anos nas Santas Mãos de Allah, por devoção – tão somente – a Este e por amor a seus irmãos oprimidos, dentre os quais, eu também incluso estou.

"... Ai dos que decretam leis iníquas e escrevem continuamente sentenças de injustiça para oprimir os pobres em juízo e fazerem violências à causa dos fracos de meu povo..." Mas, quando o Senhor tiver cumprido todas as suas obras no monte Sião e em Jerusalém: Eu visitarei o fruto do orgulhoso coração do rei Assur e à arrogância dos seus olhos altivos. Porquanto ele disse: Pelo esforço da minha mão fiz isso, e com a minha sabedoria entendi e mudei o limite dos povos, despojei os seus príncipes e como poderoso derrubei os que residiam em altos postos. E a minha mão tomou como a um ninho a riqueza dos povos; e assim como se recolhe os ovos que foram deixados, assim juntei eu toda a terra e não ouve quem movesse a asa, nem abrisse a boca, nem soltasse o menor grito... Por isto o Dominador, o Senhor dos Exércitos, enviará a fraqueza sobre os guerreiros robustos dos assírios e ela arderá como fogo dum incêndio ateado debaixo da sua glória... Levantai o estandarte sobre este monte coberto de trevas; Levantai a voz, e agitai a mão e entrem os capitães pelas suas portas. Eu dei ordem aos que consagrei para esta obra e clamei aos meus valentes na minha ira, eles exultam com a minha glória. Vozeria de muita gente sobre os montes, como se fosse de numerosos povos; ruído confuso de reis, de nações reunidas. O Senhor dos Exércitos deu as suas ordens à belicosa milícia que vem de longínquo país, da extremidade do mundo... Como vêm os tufões da parte do meio dia, assim vem o inimigo do deserto de uma terra horrível." (Isaias, 10,13,21).

Então Allah concitou seus filhos para o dia da vingança e em dois golpes apenas, a simitarra saudito-sarraceno arrebentou os dois chifres da Besta que falava como Dragão. Do quarto mundo – sem milhões ou bilhões de dólares – dos cantões derradeiros da terra desolada pelos rigores do deserto, veio o golpe que humilhou e decepou a crista altiva do tirano ao tempo em que desafiou e bufou na gravata das covardes e subservientes nações vizinhas que amofinadas como mulheres sempre estiveram em escabelo sob os pés da Besta.

Do deserto longíquo Allah mandou três meninos a levantar praça de juízo para julgar a Besta pela multidão de crimes – até então impunes – cometidos aos pobres sob a persona tragicam de defender as democracias.

Após o genocídio desfechado nas ilhas nipônicas, no fim da primeira metade do passado século, os imperadores da grande nação que representa a Besta que surgiu da terra, ante o espanto e temores causados às demais nações incutiram em suas próprias mentes e corações que a cada dia deveriam – atendendo à doutrina Monroe – ampliar cada vez mais seus arsenais de guerra, multiplicando suas garras e expandindo seus tentáculos até que nos primórdios do terceiro milênio se tornasse a nação soberana, absolutamente poderosa e auto constituída como o poder público transnacional e planetário. Para tanto desde cedo maquinou em suas entranhas um gigantesco aparelho de propaganda; de espanto, assombro, temor e admiração ante os povos do mundo, utilizando para tanto o cinema como afirmação de valores de sua democracia, e de seus sistemas perfeitos de política, economia, polícia, espionagem e autodefesa.

Durante cinco décadas interviu em muitas dezenas de países, perturbando-lhes invadindo e desestabilizando seus sistemas políticos, econômicos e, sobretudo, perturbando-lhes nos seus usos e costumes com sua cultura de plástico e seus heróis de bico de pena. Assim, com essas práticas danosas, foi aos poucos e aos muitos se enriquecendo ilicitamente com sangue e suor das nações indefesas. E foi-se avolumando o clamor dos oprimidos num constante crescendo, tanto e tanto que chegou até o Altíssimo. Então Allah mandou que garotos montados em corcéis voadores atravessassem os céus e arrebentassem os dois chifres arrogantes da Besta e que também abrissem num golpe de simitarra uma ferida mortal na quinta face da cabeça da Fera, hoje tornada Tetrágono.

Em toda terra, neste tão vasto mundo, não houve um tribunal sequer para julgar a Besta. (Esta questão já foi tratada por artigo que ainda não foi a prelo por falta tão somente de oportunidade) altiva, arrogante e sanguinária, que durante tanto tempo oprimiu e apavorou tantas nações com suas práticas terroristas acobertadas por uma falsa democracia interna, mantida às custas de ditaduras, genocídios e falências impostas às nações pobres da terra.

Ao se ver sem os dois chifres, que riam-se na cara dos povos, a Besta se enfureceu e bradou como dragão; sapateando no chão do seu território salpicado de poeira e de sangue. E sentiu-se pela primeiríssima vez em toda a sua vida, verdadeiramente humilhada. Logo por quem! pelo menor dos filhos de Allah – não sabendo ela – primogênito de Abraão, para o qual foi dirigida esta promessa: "... Pelo que disse Sara a Abraão: Deita fora esta serva e o seu filho... Pareceu isto bem duro aos olhos de Abraão, por causa de seu filho Ismael. Deus porém disse a Abraão: Não pareça isto duro a teus olhos... porque em Isaac será chamada a tua descendência. Mas também do filho desta serva, farei uma nação porquanto ele é da tua linhagem.

Então se levantou Abraão de manhã cedo e tomando pão e um odre de água, os deu a Agar, também lhe deu o menino e despediu-a; e ela partiu e foi andando errante pelo deserto de Beer-Seba. E consumida a água do odre, Agar deitou o menino debaixo de um dos arbustos e foi assentar-se diante dele a boa distância; porque dizia: Que não veja eu morre o meu filho. Ali chorou, mas Deus ouviu a voz do menino e o anjo de Deus bradando a Agar, desde os céus disse-lhe: Que tens Agar? Não temas, porque Deus ouviu a voz do menino desde o lugar onde está. Ergue-te, levanta o menino e toma-o pela mão, porque dele farei uma grande nação, multiplicarei sobremaneira a sua descendência, de modo que não será contada por numerosa que será. Ele será como um jumento selvagem entre os homens; a sua mão será contra todos e a mão de todos contra ele; e habitará diante da face de seus irmãos. Gênesis, 21 e 16.

Então a fúria da Besta vem por causa dos danos materiais sofridos? Não. A ferida é de natureza moral. E nesse sentido a dor maior está justamente no fato de que: Com tão pequeno contingente humano e a tão significante custo em dinheiro, o menor, o mais desfalcado quarto mundo, conseguiu com inacreditável precisão ferir o orgulho de um dos mais despóticos, poderosos e crueis impérios havidos em toda a história dos homens.

Choramos as mortes dos inocentes; crianças, homens e mulheres, todos os que sucumbiram-se naquele setembro sangrento.

Abominamos o terrorismo, assim como o narcotráfico, a droga, assim como também, abominamos rechaçadamente a selvageria impiedosa e cruel dos ricos de coração de lajêdo, que impassíveis e indiferentes, vêm e assistem nos noticiários o desespero angustiado dos povos sufocados por laços cujas pontas estão nas suas mãos impiedosas.

Assim como toda ação provoca uma reação contrária, então para se contraporem aos mísseis e ogivas dos ricos, os pobres lançaram mãos da droga e do terrorismo, como instrumentos únicos e derradeiros de combate, não fôra esta antitética e abominável saída, o mundo de hoje seria povoado apenas por eles, os abastados. E creio que é isso mesmo o que eles querem e muito desejam.

Que o bondoso ingênuo povo americano do norte – a quem devemos grandes e benéficas conquistas no terreno do avanço técnico – me perdoe. Mas, alguma coisa teria que ser feita. Alguém teria que se alevantar para num épico, que suplantando em muito a decida do homem na lua, sacudir as nações acovardadas, sobretudo efeminados governos das outras américas, os quais durante meio século assistiram embasbacados, amofinados, frouxos, trêmulos de medo e em total subserviência puchassaquista, o escoamento, a transfusão do sangue de suas próprias nações, de suas pobres gentes, para os armazéns draculíneos, daquele estado que sempre se impôs como o grande dragão setemptrional a quem todos os povos, grandes e pequenos da terra, pagam tributo.

Este império, à semelhança do seu progenitor europeu e outros de lá, foi levantado em parte, às custas do trabalho criminoso de sua enorme frota de corsários espalhadas pelas águas de todas as nações da terra. Agora em sua fúria cega de vingança, esquece que por muito e muito tempo, semeou vento aos quatros ventos dos quatro cantos do mundo, porquanto não se dá conta que tal feito – o de setembro – não foi obra do acaso, ou por outra lado, como querem eles, simples vontade deliberada por um relativamente pequeno grupo de vingadores, justiceiros ou terroristas; jamais terá o devido distanciamento para ver aí o dedo de Allah. Vez que, para toda e qualquer mente inteligente, fica definitivamente postulado ou entendido a absurda impossibilidade de um pequeno grupo de cinco terroristas, com ajuda de quem quer que seja, com tão pouca coisa em mãos e em tão curto tempo, causar tamanha devastação. Isto sim, é que não dá para entender se não houver a hipótese da intervenção de uma vontade superior.

Eu abomino o radicalismo de Bin Laden e de todo o Islã em suas propostas terroristas contra o cristianismo e contra os judeus. Se eles conhecessem a verdadeira palavra de Deus – que não a do Corão – saberiam que a Palavra expressamente diz da sentença de Deus, quando todo esse povo estava ainda comprimidos no corpo do pequeno Ismael: "... e ele (Ismael) habitará diante da face de seus irmãos (os judeus)".

Lamento sobremaneira a morte dos milhares de pessoas que ciosas de seus próprios cuidados, ali estavam a serviço de um sistema de um império gigantescamente impessoal e impassível ante o desmantelamento de culturas, e a perplexidade de nações ofegantes e terminais, que vão sucumbindo-se, cambaleantes, uma após a outra, por todo vasto território deste mundão de Deus. Ao tempo em que me quedo atônito e muito admirado ante a coragem, o desprezo a suas próprias vidas e o propósito de fé segura e firmada daqueles três valentes cavaleiros, pré-apocalípticos que se postando a serviço de Allah, resolveram doar as suas vidas à causa dos desesperados, dos desgraçados, desenganados lascados terttioquartusmundistas que povoam a terra desde os longínquos grotões da Ásia, até o sertões pampas e humbrosas florestas da América Latina. Esses, cujas causas sempre foram desconsideradas pela iníqua ONU.

Três garotos, garotos apenas – não entro aqui no desmérito do método – goelaram o mundo pela gravata, e com três bofetadas na cara do mundo sujo e imundo, num épico – insisto – que apagando as façanhas de Omero, eclipsa em muito a bravura de Arjuna e outros filhos de Pandu, numa única mensagem clamaram: Despertai humanidade cristã ocidental, deixai de frouxura e covardia nações pobres e oprimidas. Não vede que a Besta não é nenhum super-homem, nem um deus?!

Numa das reportagens da revista Veja sobres esses acontecimentos, em comentando-se sobre as causas do anti-americanismo na Europa, diz o articulista inglês Bryan Aplleyard: "... pode-se acrescentar mais outro ingrediente, a inveja pura e simples. Os Estados Unidos têm hoje mais escritores, músicos e pensadores de projeção mundial do que todos os paises da Europa. A cultura americana é dominante no mundo. Os americanos são hoje os mais inteligentes, mais educados e cultos povos do planeta". Este inglês deslumbrado e inculto, nada sabe sobre o que diz. Ele pensa que cultura é forjar livros com grande e maciça propaganda de venda até se tornar um conhecido, "mais vendido" (best seller). Ele não conhece o pensamento contemporâneo dos orientais. Não sabe da imensa quantidade de poetas e pensadores que habitam os mundos onde está a grande maioria da população do planeta, o pessoal de além Europa e só para um detalhe final, sem querer fazer equiparações com as culturas latino-americanas, eu afirmo que lá não existe um compositor do porte de Piazzola e digo mais, todos os compositores americanos do passado século, somados, não ofuscam em uma vela sequer o fulgor de nosso Villa Lobos. É bom não confundir grossura de noveau rich, com finesse européia. A seta da inveja, no caso, eu vejo em sentido contrário: O ocidente cada vez mais materialista e ateu é quem, na realidade, sente inveja, não do êrro do Islã em rejeitar Jesus Cristo, o Verdadeiro Salvador, mas, de sua firmeza de fé; quando eles se prostram com o rosto em terra diante das mesquitas, sentimos a sinceridade do amor e da honra que eles devotam a Allah.

O estado americano do norte, grande chacal e leão carniceiro, mal acostumados a ver todos como presa fácil, nesta ele quebrou a cara bem quebrada. O grande inimigo que lhe está em confronto não é nenhum concorrente que disputa no jogo sujo de mercado de valores quaisquer que materiais sejam eles. Ele está agora face a face com o primogênito de Abrão, o jumento selvagem de Jeová, que no que pese a idolatria ao infiel Maomé, também está sob os olhos e a guarda de nosso Deus. Fique sabendo ele, portanto, que está combatendo não contra o terrorismo, vez que, para tanto teria de ir de encontro a si mesmo, mas contra o segundo herdeiro das promessas de Allah.

Que os vivos recebam a Santa Consolação de Deus, por suas dolorosas e irreparáveis perdas. E que a nação americana setemptrional, olhe para os seus pés, baixe sua crista altiva e se humilhe diante do mesmo Deus Consolador.


Elomar Figueira Mello

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